agosto 26, 2003

Portugal, força de ocupação

A Sentinela não pode deixar de ter uma opinião - a sua opinião - sobre a questão do Iraque, nomeadamente face à escalada de violência que culminou, por agora, com o atentado à missão da ONU e a consequente morte de um homem como Sérgio Vieira de Mello e àquilo que se antevê como futuro para aquele país, liminarmente ocupado por um imperialismo que se arroga combatente de outro imperialismo, o de Sadam!

Mas o que mais revolta e indigna a Sentinela, é a posição de Portugal no meio desta trapalhada! E dizer Portugal, pode até parecer abusivo, uma vez que a responsabilidade e o protagonismo é do Governo e seus apoiantes. Do Primeiro Ministro e dos inúmeros mosqueteiros da justiça global e radical que mesmo antes dos americanos espilrrarem, já lhes estão a dizer Santinho!...
Mas o drama é que o Governo, por si só, nada poderia fazer e pouco poderia brilhar, não fora o pormenor de ter à sua responsabilidade todo um país - Portugal - que manipula e brame ao sabor da sua histeria pró-americana, arrastando assim, não só o nome de uma nação, como os seus próprios cidadãos, sob a capa de um envolvimento solidário, que na prática se consubstancia na cedência de militares da GNR às forças de ocupação anglo-americanas, para sob o seu comando servirem de reforço à cada vez mais evidente ausência de meios dos ocupantes para exercerem uma ocupação eficiente e efectiva.

E aqui reside o problema! A ocupação!... Porque não tenhamos dúvidas que, se o Iraque era anteriormente um país governado com mão de ferro por um Sadam, impiedoso e prepotente, mas que tinha água, luz, comida, educação e saúde, o Iraque é, hoje em dia, um país destruído, ocupado, com as infraestruturas inutilizadas, e um povo humilhado e traído pelas promessas de libertação, de democracia e de respeito pelo seu próprio destino!... E tudo isto, graças à magnânima bondade dos americanos e seus aliados, que fizeram mal as contas e agora reclamam que nem o dinheiro do petróleo dá para pagar aquilo que destruiram...

E é neste pântano de cobiça e desrespeito pela identidade dum povo, que o Governo nos quer arrastar, participando nesta vil ocupação, sob o manto diáfano da solidariedade para com os nossos queridos aliados!...

Imaginemos como se sentiria o povo português, se amanhã, por incúria e desgoverno dos seus próprios governantes, fossemos simplesmente invadidos pelos nossos ex-aliados (sim, porque o Iraque já foi aliado dos Estados Unidos, quando isso lhes deu jeito...) com tanques e raids aéreos e depois de nos destruirem o país, aqui se instalassem, ainda por cima queixando-se de que a reconstrução lhes iria sair muito cara!... Era bom que imaginássemos este cenário!...

Por tudo isto, a Sentinela considera que a presença da GNR no Iraque cupado, para além de constituir uma ilegalidade de todo o tamanho e de ser um elevado risco que os nossos GNR's não podem nem devem correr, é acima de tudo um gesto que o povo português não aprova nem merece, seja qual for o grau de imaturidade e irresponsabilidade do governo que temos!...

A Sentinela espera que haja um mínimo de bom senso e que a consciência popular ilumine os caminhos obscuros e perigosos em que o Governo se vem movimentando! Uma maioria não legitima a institucionalização da demência governativa!...

Publicado por sentinela em 11:07 PM | Comentários (1)

agosto 18, 2003

Desertor ou herói!?...

Há situações quem nem ao diabo lembram!...

É incrível como de um acto de deserção, fossem quais fossem os motivos, se chega à situação de herói, patrocinado pelo Ministério da Defesa, depois de um meticuloso processo de marketing político-partidário, sem vergonha ou ponta de sensatez!

A história mal contada do Tenente-coronel Maggiolo Gouveia nos dias que antecederam a invasão Indonésia em Timor Leste, independentemente dos motivos que lhe estiveram na génese, tem uma única definição: - deserção! Pouco importa as circunstâncias especiais que se foram criando para que tal acontecesse. Nenhuma delas justifica um crime de deserção e incitamento à rebelião dos seus subordinados, mormente quando se trata dum Comandante da Polícia! E ainda mais a adesão a um Partido Político regional que nem sequer poderia ser considerado Português!

Estes são factos que se encontram devidamente testemunhados e dos quais existem provas documentais inquestionáveis. A própria declaração do militar em causa, feita aos microfones duma rádio oficial, em que ele oficializa o seu acto de deserção (abandono do Exército Português) não deixam margem para dúvidas e não se quer aqui pôr em causa as motivações pessoais e emocionais que levaram a tal acto. O que é certo é que ele foi assumido e consumado!

Os antecedentes militares do Tenente-coronel Maggiolo Gouveia, nomeadamente em cenários de combate, em Angola, têm o valor que têm e nada os apagará da memória colectiva que devemos guardar de quem deu o seu melhor ao serviço do Exército e de Portugal. Mas isso não pode servir de atenuante a um acto - o mais abjecto e injustificável que um militar pode ter - que nega todos os princípios que fazem de um militar aquilo que ele jurou no seu juramento de fidelidade. Uma deserção é sempre uma deserção, agravada ainda pelo incitamento à rebelião dos seus subordinados, assume foros de crime imperdoável, pese embora todo o respeito e reconhecimento pelas atrocidades que posteriormente lhe terão sido infligidas e que culminaram com o seu sumário fuzilamento!

O resgate do seu corpo pela família é um acto que se compreende e sobre o qual se justifica mesmo o empenhamento das autoridades Portuguesas e Timorenses, por se tratar de um acto de respeito pelos mortos e pela memória de um familiar, mas transformar isto num acto macabro e humilhante de transformação de um desertor em herói nacional, só mesmo ao Senhor Ministro Paulo Portas poderia lembrar.

Mas atenção, porque a culpa não é só dele. O Governo e o próprio Primeiro Ministro, ao darem o aval a tão inóspita cerimónia, são cúmplices deste grave precedente que, grosso modo, passa a desqualificar como crime o acto de deserção. De aqui em diante, que moral ou força jurídica pode ser invocada, se outros casos sucederem!?... Como se irá explicar aos valorosos militares de que tanto precisamos e que andamos a aliciar para servir nas fileiras, que a deserção é mesmo um crime - grave e inapelável - se este exemplo paira inexplicavelmente sobre as nossas cabeças!?...

O Senhor Ministro Paulo Portas estará bem consciente da enormidade que está, hoje mesmo, a cometer?... Ele, que tanto apela aos princípios e valores, os quais, independentemente do seu posicionamento partidário, têm toda a razão de ser, apagou momentâneamente este crime da lista dos mais inexplicáveis, só porque lhe era grato inventar um herói da direita?... E será que a própria direita tem poder de encaixe suficiente para um herói desertor?...

Estas são preocupações que assaltam esta sentinela, sempre alerta, e que a fazem sentir-se cada vez menos orgulhosa da situação que se vive nas nossas Forças Armadas... Tem-se a amarga sensação de que as Forças Armadas têm vindo a ser transformadas num enorme instrumento de marketing do próprio Ministro da Defesa e é bom que o país tome consciência disto. A manipulação tem limites, Senhor Ministro e a história, a memória e a própria existência das Forças Armadas deveriam merecer-lhe muito mais respeito. Confundir as Forças Armadas com o Independente, para além de abusivo, é um acto irreflectido que há-de ter custos para si próprio, mas, o que é pior que tudo, também para o País, que não tem culpa de estar entregue a mentes excessivamente imaginativas, como é o seu caso, Senhor Ministro. Obscenamente imaginativas, diria mesmo!

Tenha um pouco de vergonha e contenção, Senhor Ministro! Os militares não são fantoches nas suas mãos e às tantas podem-se mesmo zangar com o Senhor!...

Publicado por sentinela em 11:06 PM | Comentários (1)

agosto 11, 2003

A Ceia dos generais e o reflexo da "voz do dono"

A Sentinela não deixa de estar alerta e tem vindo a digerir aquele jantar dos nossos Generais, episódio comovente e de inegável teor corporativo, mas que em nada belisca a nossa abertura de espírito, pois somos defensores da liberdade de expressão e de reunião, sendo que aos nossos Generais se aplica também esta prerrogativa de reflectir, opinar e divulgar as razões do seu descontentamento.
Pese embora o facto de aquele conjunto de ombros estrelados contar no seu seio com algumas figuras que nada fizeram, quando responsáveis pelo Exército, pela tão falada reestruturação que agora todos reclamam não se fazer por falta de meios, não lhes retiro, mesmo assim, a faculdade de unirem as suas vozes para defenderem mais uma pseudo-vítima da eterna novela poder político versus hierarquia militar. É uma liberdade que lhes assiste e à qual não devemos atribuir mais do que a importância devida.

Não tinha eu ainda acabado a digestão de tão mediático jantar, eis senão quando sou surpreendido por uma intervenção estilo "teatro de fantoches" em que o Chefe dos Chefes, armado de moca e retórica nunca antes ouvida de sua lavra, se atira aos comensais de tão inofensiva ceia, arvorando-se de único e legítimo representante, acolitado pelos outros três mosqueteiros, da instituição militar perante o Governo e o Presidente da República.
Duvido mesmo se o PR não se terá encolhido de desconforto, ao ouvir aquela declaração, que embora indirectamente o remetia para uma atitude de precaução e respeitinho por tão inquestionável poder, nunca dantes manifestado!

Com efeito, e na minha humilde maneira de ver as coisas, nunca um chefe militar de tão alta craveira, se deveria preocupar em gastar o seu latim para criticar um mero acto de cidadania levado a cabo por militares na Reserva e na Reforma e que tinha como alvo o poder político e mais objectivamente o Ministro Paulo Portas. Maior foi o espanto, quando tal declaração, sêca e fria quanto baste, sai da boca de alguém que normalmente não intervém e cujo único projecto tem a ver com a mera execução da política do Governo, sem nela colaborar com sentido, nem crítico, nem contributivo.

Foi na realidade uma pedrada no charco, não fôra o simples facto do charco estar já sêco e sem possibilidade de relectir aquelas circunferências tão certinhas e concêntricas que sempre deliciam quem se dedica a observar tais efeitos.

Voltando, no entanto, ao tão noticiado jantar, é, no mínimo, interessante verificar a preocupação demonstrada por tantos responsáveis pelo Exército, no pós-25 de Abril, pois que alguns deles terão muita e não declinável responsabilidade no actual estado a que chegou o nosso Exército, graças à ineficácia das suas orientações, quando não mesmo à ruinosa e tendenciosa gestão levada a cabo durante anos a fio. É notória, por parte do Exército, pese embora o facto de arrastar atrás de si uma máquina pesadíssima e assaz conservadora, a sua atroz aversão a qualquer reestruturação que possa pôr em causa situações de privilégio ou excepção ou ainda que ameace o avantajado corpo de oficiais generais que tem vindo a desfigurar a tradicional pirâmide hieráquica.
Prova desse verdadeiro descalabro que é a corrida às estrelas, é o recente assalto aos comandos da GNR, num despudorado assalto, que não olha a meios e muito menos reconhece o direito aos oficiais da GNR de poderem ascender aos postos mais elevados da instituição.

Na verdade, o Exército vive quase exclusivamente para alimentar e justificar o seu corpo de oficiais generais e sobra-lhe uma réstea de disponibilidade para nela encaixar todos os outros meios humanos, que assim se vão consumindo numa eterna colagem aos modelos mais conservadores de forças armadas, sem grandes possibilidades de darem o salto definitivo para o exército do futuro!

Que credibilidade pois, nos podem merecer os ex-responsáveis do Exército, para virem reclamar de meios que não lhes são disponibilizados, se da sua parte, nem um simples sinal de vontade de reestruturar e de redifinir efectivos, prioridades e objectivos, gesto que em si não acarretaria custos tão elevados, mas tão só vontade efectiva e sentido da responsabilidade?...

Por outro lado, que sentido tão estranho do exercício da função é este, que leva um CEMGFA a reagir de forma tão ríspida a um mero exercício de cidadania, por parte de um grupo de ex-generais!?... E que entrelinhas são aquelas em que se refere à exclusividade de representatividade face ao poder político?... Quererá isto dizer que, na perspectiva do Senhor Almirante, mais ninguém, nem mesmo os militares integrados em estruturas associativas, terão "legitimidade" para abordar as matérias militares, nomeadamente na área do pessoal?... Se é, estranha-se a oportunidade, porquanto a lei que regula a existência e o âmbito de funcionamento das associações sócio-profissionais já foi aprovada há algum tempo e nunca se ouviu qualquer chefe, fosse ele qual fosse, a contestar a legitimidade de tal evidência. E era bom que, se não concordam, o digam abertamente para que isso também, possa entrar no plano de apreciação do seu perfil, quando a tutela tem que escolher este ou aquele chefe militar!

Não deixa de ser interessante a tendência que alguns responsáveis têm para falar quando deviam de estar calados e para fazerem voto de silêncio quando deles seria de esperar um comentário que fosse...

E quanto aos senhores generais, deixem-nos conviver, comentar e criticar, que daí não vem mal ao mundo! Se já resisitimos, mesmo para além da época em que tinham algum poder, também não é agora que o estado de direito vai ser ameaçado!... E acima de tudo, respeitemos a liberdade de expressão, mesmo que a sua substância não nos agrade! É um princípio sagrado da liberdade que continuamos a desejar preservar!...


Publicado por sentinela em 11:05 PM | Comentários (0)

A Sentinela chegou ao seu posto!

A Sentinela apresenta-se no seu posto!

Em qualquer circunstância está aqui para o que der e vier. Sempre alerta e sempre pronta a denunciar movimentos estranhos ou tentativas de invasão do seu território!

Contem com a Sentinela, que ela está alerta!...

A Sentinela tem o sentido do dever mas não perdeu o sentido de justiça e a capacidade de apreciar os gestos da hierarquia e do poder.

Fiel ao seu posto e consciente da importância de não permitir quebras de segurança, sabe contudo que a sua permanente vigilância lhe facilita a tarefa de tudo abarcar com um só olhar e tudo poder abordar com a serenidade e o discernimento de quem tem tempo para reflectir.

Contem, pois, com a Sentinela, que ela está alerta!...

A Sentinela apresenta-se no seu posto!

Em qualquer circunstância está aqui para o que der e vier. Sempre alerta e sempre pronta a denunciar movimentos estranhos ou tentativas de invasão do seu território!

Contem com a Sentinela, que ela está alerta!...

A Sentinela tem o sentido do dever mas não perdeu o sentido de justiça e a capacidade de apreciar os gestos da hierarquia e do poder.

Fiel ao seu posto e consciente da importância de não permitir quebras de segurança, sabe contudo que a sua permanente vigilância lhe facilita a tarefa de tudo abarcar com um só olhar e tudo poder abordar com a serenidade e o discernimento de quem tem tempo para reflectir.

Contem, pois, com a Sentinela, que ela está alerta!...

Publicado por sentinela em 11:01 PM | Comentários (0)