setembro 23, 2003

Vêm aí as promoções!... - 2

Afinal, bem tinha razão o nosso Primeiro! As promoções vêm mesmo por aí abaixo...

Vinha ainda ontem no Público uma notícia que dava conta dum verdadeiro bodo aos pobres lá pelas bandas do Exército. Agora foram os tenentes-coroneis os sortudos!... Vinte e três promocões a Coronel! Vinte e três!... Agora é que isto vai!... Eu cá nem sei o que vai ser quando isto chegar aos Primeiros e aos Ajudantes... Até pode ser pernicioso! Eu cá por mim, fazia já um reforço na admissão de novos candidatos aos Cursos de Formação de Sargentos que era para não haver rotura de stocks!... Sim, porque com este ritmo, ainda corremos o risco de ter de graduar os cabos-adjuntos para fazerem de Sargentos das Companhias!...

É evidente que os nossos chefes entenderam finalmente o apelo para o desbloqueamento das carreiras e isto já chegou mesmo aos Coroneis. Agora é só esperar mais um bocadinho e a coisa compõe-se. Ai não, que não se compõe!... Só tenho dúvidas é se haverá gabinetes para estes Coroneis todos...

Agora, há uma coisa que ainda me mete confusão... havendo um total de 498 Coroneis/CMG, nas Forças Armadas, segundo o Anuário Estatístico da Defesa Nacional de 2001 e partindo do princípio que os Sargento-mor, de acordo com o Estatuto dos Militares (EMFAR), deveriam exercer funções de adjuntos ao nível de Coronel, sendo o quantitativo total dos sargentos-mor de apenas 223, como é que os nossos Coroneis se vão arranjar com meio Sargento-mor para cada um!?... Ainda mais, sabendo que os Sargentos dos nossos dias já não são aqueles barrigudos que antes caracterizavam aquela classe... Com Sargentos-mor de constituição física normal, como é que os nossos Coroneis vão resolver o problema?...

Caramba!... Estão sempre a criar dificuldades aos militares!...

Publicado por sentinela em 10:01 PM | Comentários (3)

setembro 17, 2003

Vêm aí as promoções!... - 1

Dizia-me, no outro dia, o nosso Primeiro lá na Casa da Guarda, qua afinal é que parece que agora é que a coisa vai... A coisa são as carreiras e as promoções!

Finalmente parece que já começaram a tratar disso. Sim, porque o nosso Ministro tinha dito há mais de um ano, que este ano é que a coisa ia!...

P'ra começar já promoveram 16 ou 17 Oficiais Generais aqui há pouco... Tá bem!... Começaram por cima, mas já é um sinal!... Ele diz que tem esperança que agora essa boa vontade desça por aí abaixo...

Diz ele, o nosso primeiro, que já tem muita experiência disto! Só de Primeiro Sargento já tem ele p'ra cima de 15 anos!

Ora! Ora!... Não há-de ele ter experiência e tarimba!...

Só é pena é os nossos Generais não terem assim tanta experiência, pois assim podia ser que as coisas fossem bem melhor!

Isto digo eu, que sou apenas Soldado raso!...

Publicado por sentinela em 08:18 PM | Comentários (0)

setembro 09, 2003

Armados ou não armados?...

Já agora, tinha-me esquecido de mais uma pergunta...

Tem o Senhor Ministro da Administração Interna propalado aos quatro ventos que a força (?) da GNR está pronta para avançar e que se fosse preciso ir já amanhã, isso não constituiria problema algum...

Tem a certeza, Senhor Ministro!?...

Será mesmo que os homens já têm o equipamento que foi preciso adquirir à última hora!?... O armamento e outros artefactos já estão na posse da GNR?... É que tanto quanto eu sei, e eu até sou quarteleiro, esse tipo de equipamento não se costuma adquirir ali no Belmiro de Azevedo da esquina... São compras morosas e de prazos algo dilatados, pois os fabricantes e revendedores da especialidade não costumam ter os armazéns apinhados de pistolas-metralhadoras e viaturas militares, na modalidade de "cash-and-carry"!...

Ou será que o Senhor Ministro anda a enganar a gente!?... É só uma dúvida!...

Publicado por quarteleiro em 10:47 PM | Comentários (0)

Em força para o Iraque, já!

Ora então chegou a minha vez! Disse-me a Sentinela que agora não podia distrair-se com estas coisas, pois está de segurança reforçada, uma vez que se aproxima o 11 de Setembro e a Al-Quaeda pode estar a pensar em atentar contra a "torre do restelo", na mira de arrombar a "porta" que resguarda todo o nosso potencial de defesa nacional...

Mas como a gente queria muito ter uma resposta para uma dúvida que cá temos, encarrego-me mesmo eu disto.

É que a gente leu no Expresso, que segundo declarações do Senhor Comandante Geral da GNR, a força (?) desta instituição que se prepara para ir para o Iraque, vai ser abonada de Suplemento de Missão igual para todos, independentemente dos postos, no valor de 2400 Euros, ou seja pelo escalão mais elevado, o que contribui para um aumento de mais quatro milhões de Euros, para além dos outros cinco milhões que já tinham sido libertados para a aquisição de armamento.

Ora a gente não tem nada contra os nossos camaradas da GNR e até concorda que eles vão bem armados e pagos como deve de ser...

Agora só estamos à espera que o Senhor Almirante CEMGFA inicie os mecanismos para que o pessoal dos três ramos das Forças Armadas, que se encontram no Kosovo e em Timor, venham também a beneficiar dessa medida extraordinária, uma vez que julgamos ser todos ainda militares!...

A não ser que agora sejam militares, apenas os da GNR e a tropa seja assim uma espécie de TSF - leia-se, Tropas Sem Fronteiras - que é como quem diz, mais uma ONG, que por via do seu estatuto de cooperação não tem os mesmos direitos reservados aos militares!...

Talvez o Senhor Almirante CEMGFA queira tirar-nos estas dúvidas... e dar uma palavrinha ao Senhor Ministro da Defesa, que é para ver se a gente se entende!...

Publicado por quarteleiro em 10:31 PM | Comentários (0)

setembro 05, 2003

A reestruturação anunciada

A Sentinela vem ouvindo recorrentemente alusões a uma reestruturação das Forças Armadas que tarda em acontecer, se bem que sirva para muitas e já estafadas declarações, que a propósito ou não, se vão consumindo num rosário de promessas e desvios, de projectos e desculpas, de orçamentos e queixumes.
É notório que a reestruturação reclamada por uns talvez não corresponda àquela que agradaria a outros e que a que é reclamada por estes não encaixa nos propósitos dos primeiros. Tem, no entanto este antagonismo, a vantagem de a todos permitir reclamar pela dita reestruturação e todos poderem desculpar-se pela sua inobservância.

A Sentinela sente que por parte de certa hierarquia militar, sobra muito mais um pavor obsoleto e egoísta pela perda de regalias e privilégios duma certa nomenclatura elitista, demasiado agarrada a um certo conceito de posse e controlo absoluto da instituição, do que abertura e vontade de racionalizar os meios e envolver todos os militares num projecto que os possa motivar.

Aos ramos é ainda concedida uma exorbitante liberdade de acção e poder arbitrário de decisão que deveria, a bem duma desejável e inadiável normalização de métodos e práticas, ser concentrado ao nível dos responsáveis políticos, fazendo parte dum todo que deveria constituir a política de defesa, a sua imagem e o seu desenvolvimento sustentado, não dando mais lugar a decisões avulsas deste ou daquele ramo, deste ou daquele chefe militar, pese embora o respeito que estes inequivocamente nos merecem.

Os militares estão cansados de ser utilizados como tropas às ordens deste ou daquele conceito, desta ou daquela interpretação, deste ou daquele projecto pessoal ou de classe e querem fazer parte dum todo que são as Forças Armadas Portuguesas. Julgamos haver demasiadas e mui diversas Forças Armadas dentro do conceito de Defesa Nacional. Um Chefe da Defesa único e inequivocamente aglutinador de todo este conceito, investido de uma autoridade efectiva e naturalmente sancionada pela tutela, seria talvez uma solução corajosa que urge assumir e pôr em prática. Eis um bom motivo de reflexão!

Numa outra perspectiva, assentando em princípios de racionalização e contenção orçamental, sem no entanto ser alheio aos compromissos internacionais e à cada vez maior importância da intervenção das Forças Armadas no plano da política internacional, os políticos vêm reclamando uma profunda reestruturação, como medida essencial para o perfeito ajustamento da “tropa” às novas exigências do contexto internacional e um consequente redimensionamento dos efectivos, por forma a um melhor aproveitamento dos recursos existentes.
No entanto, nem por parte dos ramos vimos uma acomodação a estas novas condicionantes, , nem por parte do governo se sente uma vontade política e uma determinação governativa que saiba impor as novas regras, à medida que a nova lei do serviço militar se vai afundando em descréditos sucessivos, porque na realidade, ninguém ainda foi capaz de assimilar o respeito e a seriedade que têm de estar inerentes a tal revolução social.

Assiste-se assim, principalmente por parte do Exército, a uma resistência quase ostensiva a estas novas necessidades, sobrepondo-se a tudo e a todos uma desmesurada corrida às promoções de oficiais generais, que faz quase prever umas Forças Armadas que não as nossas, enquanto as restantes categorias definham em anos e anos acumulados no mesmo posto e sem perspectivas de melhores dias.
Mantêm-se a todo o custo órgãos e estruturas desenquadradas da realidade de implantação territorial das forças, apenas para manter os aparelhos de estado-maior que pretensamente justificam as já citadas promoções.
Continua-se a conceber uma estrutura de Forças Armadas, que se quer assente no voluntarismo, no regime de contrato e num desejável profissionalismo, quando as mentalidades ainda continuam a conceber umas Forças Armadas em forma de feudo e os mais altos responsáveis militares ainda continuam a confundir a instituição militar com eles próprios, enquanto detentores dum poder discricionário que nunca estiveram, nem estão dispostos a abandonar.

Os fracos recursos financeiros atribuídos aos militares, aliados a uma administração que apenas se revê nos resultados imediatos para alcançar benefícios julgados imprescindíveis para a imagem do comando, releva os militares nas unidades para situações constrangedoras de condições de vida e de uma frustração galopante, quando associadas à estagnação de carreiras que lhes destrói os projectos de vida e os torna, em certos casos, vulneráveis a um sentimento cada vez mais desenvolvido de egoísmo e de individualismo, numa instituição que sempre primou pela camaradagem.

A Sentinela vem assistindo a uma galopante descaracterização da instituição militar, que perde todos os dias um pouco mais da sua vocação unitária e de cultivo pela sã camaradagem e solidariedade, para se deixar envolver em mecanismos perniciosos de competitividade gratuita, de indesejáveis individualismos e de conceitos cada vez mais economicistas, numa instituição que sempre exaltou os valores do desprendimento por conceitos de poder pelo poder e de desprezo pelo factor humano.

A Sentinela está preocupada com a falta de sentido do dever em favor dum exacerbado sentido do exercício do poder, que no entanto se esvai proporcionalmente à medida que os benefícios individuais se vão mantendo e nalguns casos, mesmo, reforçando.

A Sentinela exorta todos os efectivos a manterem-se alerta para que o edifício não caia de podridão, arrastando consigo os seus inquilinos... porque os arrendatários, esses normalmente sempre conseguem escapar!...

Publicado por sentinela em 07:41 PM | Comentários (0)

setembro 03, 2003

A "residência oficial"

A Sentinela ficou surpreendida com algumas considerações do Ministro da Defesa, numa recente entrevista à SIC.

Passeava-se o Senhor Ministro, qual Monarca no seu Paço Real, pelas salas e terraços do Forte de S. Julião da Barra, com o jornalista a seu lado, quando este lhe pergunta, face ao vazio e extensão duma enorme sala abobadada, julgo que conhecida como cripta daquele monumento, se ele, ministro, não se sentia ali demasiado só e se isso não seria uma imagem da chamada “solidão do poder”...

O Dr. Paulo Portas, naquele seu ar “blasée” que se lhe conhece, afastando um pouco a pose de estado que por vezes o afecta, tece vários considerandos que não são para aqui chamados e às tantas, referindo-se ao Forte de S. Julião da Barra, chama-lhe “a residência oficial do Ministro da Defesa”!...

Ora aqui é que nasce a surpresa da Sentinela, porque, pensava ela que “residência oficial” era um exclusivo do Primeiro Ministro.

Com efeito, tanto quanto a Sentinela tem conhecimento, o Forte de S. Julião da Barra, estando efectivamente à guarda do Ministério da Defesa e tendo o Ministro o privilégio de o utilizar como residência de representação, para alojamento de convidados oficiais, recepções e banquetes, bem assim como de o ceder a entidades estranhas ao Ministério para outras cerimónias que lhe mereçam a aprovação, não serve de residência oficial a quem quer que seja, até porque, não se compreenderia qual a razão da atribuição deste privilégio a um só ministro em detrimento de todos os outros.
E se bem que o actual Ministro da Defesa seja também Ministro de Estado, este é um facto pontual da constituição deste Governo, para além de que outro Ministro de Estado existe e, julga-se, protocolarmente acima do Dr. Paulo Portas.

Aliás, o facto de monumentos nacionais estarem à guarda deste ou daquele ministério, nunca significou a sua afectação como residência oficial do responsável pela tutela. Caso contrário, teríamos, por exemplo, o Palácio da Ajuda como residência oficial do Ministro A ou o Palácio de Queluz como residência oficial do Ministro B. Uma situação algo estranha, concordemos…

A Sentinela espanta-se pois com o descaramento e desassombro do Ministro da Defesa, Dr. Paulo Portas, ao arrogar-se o direito de reclamar para si um privilégio que ninguém lhe terá conferido. A Sentinela já ouviu, no entanto, rumores de que na prática o Dr. Paulo Portas utiliza aquele monumento nacional como se de uma residência sua se tratasse, estendendo a sua hospitalidade a familiares e amigos, com utilização de funcionários afectos ao Ministério da Defesa para o servir, mesmo fora das horas de serviço. Mas nada disto justifica porém, as surpreendentes declarações do Ministro da Defesa sobre a sua pretensa “residência oficial”, nem muito menos sustenta aquilo que se julga ser uma usurpação dum bem comum em favor exclusivo e inapropriado dum membro do Governo!

A Sentinela está estupefacta, a não ser que o Senhor Ministro lhe mostre onde é que está escrito, em forma de lei, a concessão deste especial privilégio ao titular daquele cargo!

Até lá… a Sentinela mantém-se alerta!...

Publicado por sentinela em 11:10 PM | Comentários (0)